sábado, 16 de abril de 2011

Heifetz

Se eu não pratico um dia, eu percebo; dois dias, os críticos percebem; três dias, o publico percebe.

Jascha Heifetz

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Gustav Janzen

Gustav Janzen , Brasileiro naturalizado,filho de Heinrich e de Maria Janzen , sétimo filho de uma família de 11, nasceu em 09/09/1919, na aldeia de köppental, Turquestão, Rússia. Casou-se com Maria Fast em 12.04.1944 e teve 7 filhos.
Seus pais eram colonos e quando a situação se tornou pesada demais,debaixo do regime de Stalin, deixaram tudo, da mesma forma que também outros milhares,emigraram via Alemanha. Em 1929 chegaram ao Brasil, onde na pobreza tiveram que reconstruir sua vida, todos tinham que ajudar muito na lavoura, e Gustav nesta época já contava com 10 anos. Ele aproveitava qualquer folga  para brincar na bancada de marceneiro do pai,com ferramentas arcaicas, pelo fato de se interessar muito pelo trabalho em madeira.
Depois de algum tempo vieram mais dois homens, dois emigrantes que fugiram da Rússia sobre o Cáucaso.um deles possuía um violino e aproveitava todas oportunidades para alegrar as pessoas com o instrumento. Isso capturava toda a atenção de Gustav, o irmão de Gustav conseguiu um livro de luteria, e possuir um desses instrumentos passou a ser o maior dos sonhos de Gustav,ele contava na época 12 anos, e não dispunha de dinheiro para comprar um violino, então começou a fabricar o seu próprio instrumento, “porque”,  pensava ele, “o que um Stradivarius é capaz de fazer eu também sou, talvez até um pouco melhor”.
Ele procurou madeira clara e leve, e as faixas do violino criaram a maior dificuldade, que com um ferro de passar da mãe foi resolvida rapidamente,foi zombado por muitos, mas a isso não ligava.
Um dia terminou o violino, e esse até possuía som! Ele agora era admirado! Nesta fase já contava 14 anos de idade. Com  o passar do tempo arranjou ferramentas e madeiras mais apropriadas. Também procurou livros de luteria, vernizes e trabalhos em madeira.
Em um ponto de sua vida decidiu testar vários tipos de madeiras e formas, inúmeros testes foram feitos, tudo anotado em seus cadernos para comparações futuras.
Quando se mudou para o Paraná, trabalhou para inúmeras orquestras da região de Curitiba, e para músicos de todo o país, o então presidente da republica Dr. Café Filho, então lhe encomendou um violino e com este presenteou o grande maestro Eleazar de Carvalho.
Em 1967 se mudou para o Canadá, em Vancouver na exposição anual PNE, recebeu 1° lugar como luthier e uma medalha de bronze como expositor.
Depois de oito anos, por motivos de saúde, Gustav se viu obrigado a voltar ao Brasil, desta vez se mudando para Campo grande, MS. Neste cidade foi muito procurado por autoridades brasileiras com relação â luteria, tinha boa demanda e bons clientes. A rede globo de televisão fez uma reportagem sobre ele, e a extinta revista manchete, o denominou Stradivarius do Pantanal.
Vendeu violinos para Edgar Carter (primo do ex-presidente  Jimmy Carter), para Menuhin, e para Gerzzy Milewsky (ganhado do concurso Wieniawsky), violinistas como Issac Stern, também tocaram seus violinos.
Foi ganhador de vários concursos internacionais de luteria.
E autor de um livro chamado “Tecnicas de acústica de violinos e salas de concerto”.
Sem duvida foi um dos melhores liutaios do Brasil.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Meu grande mestre



Eu fico emocionado todas as vezes que eu me lembro da amizade que tenho com meu professor, o violinista judeu Natan Schwartzman, é uma amizade de mais de 10 anos, firmada ao longo de minha carreira, ele é realmente um pai, me ensinou tudo que sei e o que não consegui aprender também (risos).
O Natan é um senhor de 80 anos de idade hoje, que nasceu em Niterói no estado do Rio de Janeiro, e logo cedo descobriu para que veio ao mundo, e deixa bem claro com o talento e a carreira solida que teve.
Eu conheci o Natan com 65 anos de idade, eu tinha na época 11 anos, estudava com Cecilia Guida e com meu avó também, e fiquei fascinado ao ouvir a Cecília dizer que no Brasil com a experiência e a carreira que Natan teve, ninguém poderia esquecer que ele era o maior presente musical que Deus dera aos violinistas brasileiros, ela falava de uma forma tão empolgante, que eu decidi correr atrás do Natan pra conhecê-lo, acho até engraçada minha atitude, consegui com a própria Cecília o telefone dele, e liguei para sua casa, onde sua esposam, a estimada Dona Mery (como a chamo), atendeu gentilmente o telefone, pedi para falar com o Natan, e quando ele atendeu, fiquei com muito medo, tremia, ele logo disse, quem é você? Quem lhe deu meu telefone? Depois de responder um questionário enorme, vi que Natan não gostava muito  de falar ao telefone, então ele me convidou para tocar para ele, no dia 10 de maio de 1995, uma quarta-feira as 15 horas.
Cheguei ao prédio em que ele mora até hoje, com uma hora de antecedência, e esperei ansioso o aluno anterior sair, quando chegava os 5 minutos finais da espera, eu toquei o interfone e o porteiro me anunciou ao senhor Natan, que mandou que eu subisse. Era um prédio muito elegante, e eu menino de calças curtas com quase 12 anos, sozinho subindo as escadas, encontro um senhor subindo também, que puxa assunto comigo, e pergunta: nunca te vi aqui, você mora aqui? Quem veio ver?
Eu respondi que não morava e que ia ver o senhor Natan Schwartzman, o homem sorri e diz, sim, o Natan e eu somos amigos de infância, andávamos juntos quando ainda usávamos calças curtas e sorriu largamente, ele se vira e pergunta como se encravasse uma espada em meu peito, O que você acha do Natan?. Eu respondi que não o conhecia pessoalmente, mas que tinha certeza que no Brasil não tinha ninguém melhor que ele, e então por isso estava ali ia tocar para ele, tinha o sonho de ser seu aluno, de ter uma vaga em sua classe.
Nos despedimos e o homem entra em uma porta de serviços no andar de Natan, o apartamento era imenso e ocupava o andar todo, toquei a campainha, e sua empregada me recepcionou muito bem, mandou sentar-me e me acomodar, pegar o violino e fazer escalas de 3 oitavas, eu fiquei assustado, ate a faxineira do Natan sabia dar aulas (risos), mas de tanto ouvir o Natan falar isso, ele pegou o habito de dar este recado dele aos alunos.
Quando ouço uma porta abrir e aquele senhor que subira comigo a escada sair por de traz dela, gritando meu nome e rindo, me assustei, eu havia conhecido meu nobre amigo Natan na escada de seu prédio, ele me abraçou como se nunca tivesse me visto, e me disse “Shalon”, nem respondi, não sabia o que dizer direito.
Vamos lá menino, me mostre o que  você sabe, com um tom desafiador, me disse ele, o que vai tocar? Eu disse Mozart ou Beethoven o senhor escolhe, risos e mais risos da parte dele, escolho que você acha que vai se sair melhor, eu disse a sonata primavera de Beethoven então, Natan olha para mim naquele momento e diz “você sabia que eu toquei esta sonata para Zino Francescatti? E que ele me concedeu uma bolsa de estudos na Julliard School, veja bem o que vai fazer, pois amo esta peça.”
Empunhei meu amado violino e iniciei o lá da partida, Natan grita: - calma!!! Escala de sol maior em três oitavas sem repetir a Tonica, suba depois os arpejos, e depois faça seguida a escala de sol menor... minhas aulas com o Natan começavam ali. Depois de tocar a maravilhosa sonata de Beethoven, eu olho Natan com os olhos cheios de lagrimas, com seu lenço branco em mãos, e a me dizer, Hudson Cavalcante (ele nunca admitiu escrever meu nome com “R”) você é sensacional, tenho uma vaga em minha classe, e ela estava esperando por você, eu comecei a chorar emocionado, ele me abraça e diz: -garoto deixe pra chorar quando você estiver  fazendo seu Debut.
Liguei para o Natan marcando minha aula, e em 15 anos, todas as vezes que eu ligo pra isso ouço sempre a mesma coisa:- Vejamos, você pode vir na quarta-feira, às 15 horas? Eu dou uma larga risada e sempre digo o mesmo:-o senhor quem decide maestro.
No Natan eu encontrei não só um professor, mas um amigo, um especialista em violino, e uma pessoa que pode me orientar nas mais adversas situações que o violino possa me colocar, tocamos muitas coisas já, desde os barrocos até os mais modernos compositores, minha decisão de não levar adiante a carreira que tinha deixou-o um pouco tanto nervoso digamos, mas ainda quando subo no elevador de seu prédio para as aulas que se tornaram quinzenais ao em vez de semanais, pela minha falta de tempo, sinto jorrar em mim uma quantidade magnífica de antigas emoções e vivencias que naquele lugar tive. Lá tive o prazer de conhecer Accardo, Utu uggi, entre outros amigos do Natan.
As coisas mais engraçadas que eu ouvia eram tantas que nem sei o que colocar aqui. Um dia entrei na aula, e ele me disse tire o sapato, e deite-se no chão, vamos fazer relexamento induzido agora, e começou então a mais sensacional aula de relaxamento que já tive na vida. Outro fato incrível foi quando toquei pela primeira vez ao Natan o concerto de Beethoven, ele disse: bom Hudson (detesto que ele me chame assim), você é bom rapaz, pena que não sabe disso, e desembestou em uma risada frenética. São tantos bons momentos que nem sei o que contar aqui, um dia entrei na aula e estava Natan na mesa, com duas partituras nas mãos, eram o concerto 5 de Paganini, e as sonata de Bartok para violino solo, eu quis olhar e ele me disse, vou queimar isso, espantado eu disse , não faça isso professor, e ele me disse, essas peças são tão difíceis, que não quero ter aqui, partituras que não consigo tocar, elas me torturam, e me dizem que sou incapaz, eu cai na risada kkkk.
A melhor parte é quando ligo pra ele, e ele pergunta que Rudson é, eu sou o único aluno do Natan hoje, ele não ensina mais, somente a mim, ai digo, seu aluno Natan, ele fala, só dou aulas ao Hudson, e então eu grito, sou eu Natan, ola Hudson como vai? Vejamos, você pode vir na quarta-feira, talvez as 15 horas ...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Arco






O Arco




A historia dos instrumentos da família das cordas friccionadas, é marcada por crescentes mudanças e evoluções, tanto no que se diz em aspectos físicos, quanto também em aspectos sociais, técnicos e culturais. Um grande exemplo disso é o fato de que antes de se tornar o instrumento mais conhecido desta família, o violino era um instrumento comumente associado a mendigos e pobres, só após o contato de reis e nobres com este fabuloso instrumento, que pode então ser considerado instrumento fino e da realeza, lógico que estes fatos se deram muito antes do período barroco, no inicio da criação deste instrumento, este instrumento sempre esteve em constante mudança, como vimos no artigo que fiz sobre violinos barrocos, houveram mudanças significativas nas medidas, nas cordas, nas peças, e principalmente nos arcos.

E então, proponho que falemos um pouco sobre este componente importante da família das cordas friccionadas, “o arco”. Esta pequena ferramenta desempenha um papel importantíssimo na execução dos instrumentos, todos eles são friccionados por estes objetos, que recebem de alguns aficionados atenção mais que especial, tanto nos instrumentos barrocos como também nos modernos, houve muitas experiências no que tange a estas “varetas mágicas”.

Já os chineses e os árabes utilizavam arcos para tocar seus instrumentos, assim percebemos que a idéia de utilizar algo que não fosse os dedos parar tocar ou ferir as cordas, são mais longínquas do que se pensa superficialmente.

Falemos um pouco sobre a historia dos arcos de violino (que é um assunto que posso falar com propriedade), no período barroco, era de costume todos os artesãos construírem arcos para seus instrumentos, então a especialidade de fazer arcos como se tem hoje, se deu após a era de ouro italiana da luteria, esses profissionais de hoje são chamados de Archetaios (italiano), archetier (francês), e arqueteiro (português), são profissionais que se dedicam especialmente à feitura desses fabulosos instrumentos, como existe a grande tradição de Cremona Itália ser a mãe áurea da lutheria, também se tem a tradição que a cidade de Mirencourt (França) é a mãe áurea da arqueteria, se tem grandes artesãos na França, os mais famosos e reconhecidos no que se diz em desenvolvimento e pesquisas de arco. Os mais famosos e mais excelentes artesãos são os franceses Fraçois Tourte (1747 – 1835), que trabalhou com grandes violinistas para o aperfeiçoamento dos arcos, sobre tudo como o virtuose italiano Giovanni Batista Viotti (1755-1824), foi Tourte quem mudou os princípios do arco barroco, que tinha sua curva côncava e não funcionava bem para determinadas técnicas, mas a pedido de Viotti, mudou a curva para convexa, e logo após se mudou o tamanho do arco a pedido do grande Paganini, e assim se chegou ao que hoje conhecemos, é claro que é uma explicação bem rápida, pois neste progresso, se fizeram os arcos que chamamos de transição. Este mesmo Tourte descobriu que uma de nossas madeiras mais nobres era a mais interessante para se fazer arcos, o Pau-Brasil, mais precisamente da espécie Pernambuco, por ter suas fibras peculiares, e boa resistência e elasticidade, passou a ser utilizado como a madeira de melhor desempenho para os arcos, e assim é ate hoje.
varios modelos de arcos

Os arcos barrocos, tem como os violinos também, diferentes medidas e formatos, existem inúmeros formatos, cada um feito de acordo com o que o seu dono pretendia tocar, sendo assim os mais famosos modelos foram os Vivaldi e Tartini, respeitando as exigências de seus respectivos donos, a madeira que era comumente utilizada era o Pau-cobra, uma madeira de aparência maravilhosa, com desenhos que lembram como diz seu nome a pele de uma serpente, tem uma beleza inigualável, e em arcos barrocos funciona muito bem, os talões eram feitos da própria madeira ou então de ébano ou cifres, se utilizava como hoje crina animal para as cerdas, e também se rechinava as cerdas antes de se tocar.

Com o avançar da técnica e a necessidade dos violinistas de terem arcos que produzissem mais sons, e ajudassem na execução do instrumento, como já mencionamos, foram desenvolvidas varia teorias, e feitos muitos modelos, uma pesquisa muito interessante de se fazer alias.



Existem artigos sobre um arco que o próprio Stradivari havia feito, e na oficina de Niccolo Amati, também se fazia os arcos.



O mais interessante de toda a historia é que com a evolução da técnica de construção dos arcos, os luthiers também se viram obrigados a mudar muitos recursos doa instrumentos, e hoje se tem uma vastidão de modelos de arco, com o mesmo tamanho que se tornou padrão para cara instrumento, sendo os mais famosos, os de Sartori, Peccati, Tourte e Villaume.
  François Tourte


Espero ter ajudado

Grande abraço a todos.

Rudson di Cavalcanti

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vernizes



Se conhece e se emprega verniz desde os tempos mais remotos. Existem antigos documentos que guardam a utilização de vernizes por povos primitivos, como os Assírios, Egípcios, Gregos e Romanos.
O Renascimento foi muito fértil em conhecimento e resultados no campo de vernizes e tinturas, em particular dois nomes se destacam nas pesquisas sobre o assunto, Leonardo da Vinci e Leon Battista Alberti. A receita mais antiga que se tem noticias é obra do monge beneditino Teófilo e é datada do ano 1100 DC.


Existem basicamente dois tipos de verniz, os do tipo à álcool, e os do tipo à óleo. Existem também vernizes que combinam os dois tipos, eles são os vernizes mistos.
Também existem os vernizes a base de benzina, e de essência, estes são menos utlizados normalmente aqui no Brasil, mas são utlizados na Europa e EUA, no Brasil temos por tradição usar ou verniz a álcool ou verniz a base de óleo, o que não significa que os outros não tem boa qualidade ou não funcionam.
As receitas e as preparações também são muito numerosas, e variam de autor para autor, também o tipo de abrasivo que se usa para a politura, e o modo de aplicação.
Os italianos por exemplo aplicam os vernizes com pincel, dando a cada demão o tempo preciso de secagem, e depois que terminam a aplicação, com lixas tiram os ecessos, e depois fazem a politura com álcool. Já os franceses, as vezes utilizam-se de pincel, mas geralmente para facilitar o trabalho e faze-lo com mais eficiencia, usam bonecas de algodão para aplicar os vernizes, diminuindo o tempo de secagem e carregando menos verniz no instrumento.

Existem caracteristicas que são indispensáveis ao verniz, estas caracteristicas  que definem se é ou não um bom verniz, quero falar sobre algumas delas.
a primeira é a solidez, um verniz precisa ser sólido, não inconstante e exageradamente elástico, é preciso ter estabilidade na solidez, mas nao pode-se confundir solidez com elasticidade e nem com dureza, esta caracteristica faz impotancia ao verniz no toque, na manutenção e coisas do genero.


A segunda é a elasticidade, esta caracteristica é fundamental para o comportamento da madeira no quesito vibração, se o verniz nao for elástico, ele impede que a madeira vibre livremente, mas elasticidade demais também nao é sinônimo de qualidade de verniz.


A terceira é a transparência, esta caracteristica é extremamente importante do ponto de vista estético, já que um verniz transparente mostra toda a venatura da madeira, fazendo ficar visiveis todas as qualidades estéticas do legno, quanto mais transparênte, mais o verniz será bom do ponto de vista estético, pois mostrará livremente as qualidades estéticas da madeira.

A quarta é a brilhanteza, esta também é uma caracteristica estética, mas se for exagerada deixa o trabalho meramente bonito mas sem refinamento, o liutaio deve ter uma medida etíca de sua arte e pensar até que ponto o verniz pode ser brilhante.


Quanto a quantidade de verniz a ser usado nos instrumentos, não existe um número específico de demãos a se aplicar nos instrumentos, mas estima-se que o verniz deve ter em torno de 0.1 mm de espessura, o que se olharmos irracionalmente pensaremos que é uma medida meramente irrelevante, mais se pensarmos de forma racional, chegaremos a conclusão de que é um detalhe primordial para se produzir um bom instrumento.

 Termindo dizendo que vernizes cada dia mais são aperfeiçoados, e que cada autor tem sua receita própria, e se chegarmos  a um resultado plausível, não importa se usarmos verniz a óleo ou a álcool, desde que a receita seja natural, e que saibamos o que fazer, unidos ao bom resultado, temos o verniz perfeito.



Rudson Di Cavalcanti





 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Violino Barroco e violino moderno



O violino apesar de ser um instrumento que estamos acostumados a ver e a ouvir, seja em áudio, ou vídeo, ou em um teatro e sala de concerto, nem sempre teve essas caracteristicas sonoras, e até estéticas. Os violinos sofreram modificações consideráveis, e importantes, estas modificações influenciaram o instrumento na sonoridade, e o executante na forma de tocar, e até mesmo no modo de tocar.
Hoje em dia os violinos são construídos levando-se em conta o tipo de sala que serão tocados, o estilo de musica a serem tocadas, e dependendo da concepção do autor, as medidas mudam, mas tendo em consideração um padrão que foi estabelecido ao longo de muitos anos de pesquisa de vários artesãos, estas medidas são com toda a certeza o fator mais importante a definir a diferença entre um violino moderno e um violino barroco, através destas definições se consegue modificar a projeção e o timbre dos instrumentos.
Vamos falar um pouco sobre as caracteristicas do estilo e dos violinos barrocos e comparar com os modernos.

Seguindo a pratica do período, a maior parte dos violinistas barrocos usam cordas de tripa, geralmente feitas com tripa de cordeiro, que fazem com que o violino tenha um timbre peculiar, inexplicável o um timbre agradabilíssimo, que nos faz viajar no tempo, voltar ao movimento em que se tinha mais apreço pela sonoridade em uma forma mais límpida, não importava muito o violino ser potente pois sempre se tocava em salas pequenas, na corte ou nas igrejas.

Hoje porém , cada dia que se passa são construídas salas maiores, com concertos para grande publico, pense em tocar em uma sala com 50 a 100 pessoas como no movimento barroco, e pense agora em se tocar em uma sala como o Carnegie Hall nos E.U.A, é indispensável modificações que proporcionem potencia aos instrumentos, então no século XIX, foram realizadas pesquisas, feitas experiencias com diversos materiais para cordas e se definiu as cordas de metais como a prata e o aço, como um padrão moderno, que em comparação com as cordas de tripa, retêm um pouco mais os harmônicos, mais conferem maior projeção e durabilidade.

Outro ponto importante no violino barroco, é o tamanho do espelho, e do braço. Essa é em minha opinião a diferença principal entre os dois tipos, são diferenças grandes entre comprimento, espessura, inclinação, altura das cordas, tamanho de cavalete e corda vibrante, e só posso explicar isso fazendo uma tabela de comparação, embora no barroco não haviam medidas padrão nem para o tamanho de corpo. veja estas medidas:

comprimento do braço moderno 130 mm
comprimento do braço barroco 120mm, embora eu já vi braços com 115 mm

comprimento do espelho moderno 270 mm
comprimento do espelho barroco de 230 a 250 mm, embora vi violinos com 210 mm de espelho

inclinação do braço moderno na ponta do espelho 20 mm a 21.5 mm
inclinação do braço barroco na ponta do espelho de 15 a 19 mm, mas vi mais altos e mais baixos também.

Outro ponto curioso e interessante entre os dois estilos, é a Barra harmônica, também chamada de Barra de Baixos, ela funciona como uma coluna para sustentar o tampo, e para transmitir as vibrações através do mesmo, como no movimento barroco se usavam cordas de tripa, e a inclinação do espelho era bem menor, a tensão das cordas também era muito menor, sem falarmos da afinação que era de 415.00 hertz (nota Lá), e que hoje é de 442.00 (lá), por estes fatores a barra harmônica era muito menor que a hoje convencionada, a barra barroca alem de mais baixa tendo 9 mm no seu ponto mais alto, e tendo 230 mm ou menos de comprimento, era mais fina também com cerca de 5 a 4 mm de espessura. hoje as medidas são muito diferentes, a altura na parte mais alta da barra é de 11 a 13 mm, o comprimento é de 270 mm, e a espessura de 6 a 5 mm, isso por que as cordas de aço e prata tem muito mais tenção que as de tripa, e a inclinação diferenciada do barroco, também faz ser gerada mais tensão. Um estudo que li ano passado, diz que na era barroca o peso das cordas na resultante do tampo era de 50 kg, e que hoje é de 80 kg.
Mas Barra harmônica é uma assunto muito vasto para de se falar, por exemplo, o italiano Giussepe Rocca em alguns de seus violinos modernos, utilizou medidas de barra harmônica barroca, com resultados explendidos, a escola de cremona ensina seus alunos a não usarem medidas nem maiores nem menores que 270 mm, a maestrina julliet Barker usa 275 mm, o maestro Henry Strobel diz que a barra deve ter 7/9 do total do tampo, curiosas diferenças que variam de autor a autor, eu sou a favor da teoria de Strobel, mais tenho amigos que são incisivos em usar 270mm.

O estandarte também tem um formato e medidas diferentes, pois as cordas modernas tem mais tensão e o material precisa ser mais resistente, e mais espesso para poder suportar as tensões.

No violino barroco geralmente não se usa queixera, esse acessório foi implantado pelo violinista Louis Spohr (1784-1854)

As modificações de corda vibrante, extenção de braço, e aumento do arco, foram propostas por Niccolo Paganini e Viotti.

Todos os violinos Amati, Stradivari, Guarneri, e outros da era de Ouro, foram modificados, um dos grandes restauradores que modificaram os intrumentos foi Jean Baptiste Villaume.

Os melhores intrumentos barrocos eram os de Stainer e Amati, Stradivari só alcançou sua fama maxima, só se deu depois do seculo XVIII, com o uso deles por Ferdinand David, Wieniavsky, e Viotti

espero ter tirado algumas duvidas.

Rudson di Cavalcanti

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Violinos são tidos como melhores ou iguais aos de Stradivari

Aqui está a tradução de um artigo interessante do Meeting in Music sobre a criação de um tipo especial de madeira para a fabricação de violinos, com o uso de fungos especialmente selecionados. Esse artigo, que necessita seriamente de um trabalho editorial, está reproduzido como é originalmente. A figura à esquerda é do artigo original.“Será que um violino relativamente barato, produzido com madeira moderna, pode soar como um bom Stradivarius? Aparentemente, sim – se a madeira tiver sido exposta a fungos que causam um tipo de deterioração (reduzindo a densidade da madeira mas deixando as lamellae medianas intactas), como demonstrou Francis Schwarze, do Empa (Swiss Federal Laboratories for Materials Testing and Research).Aqui está o recente press-release do Empa:Na 27ª Osnabrücker Baumpflegetage, uma das mais importantes conferências anuais da Alemanha sobre todos os aspectos dos cuidados florestais, o ‘violino biotech’ do pesquisador do Empa Francis Schwarze ousou apresentar-se em um teste cego contra um Stradivarius – e ganhou. Foi um resultado brilhante para o violino do Empa, que é feito de madeira tratada com fungos, contra o instrumento feito pelo próprio grande mestre em 1711.O dia 1º de setembro de 2009 foi um dia de glória para o cientista do Empa Francis Schwarze e para o lutier suiço Michael Rhonheimer. O violino que eles criaram utilizando madeira tratada com um fungo especialmente selecionado deveria tomar parte em um teste cego contra um instrumento feito em 1711 pelo próprio mestre fabricante de violinos de Cremona, Antonio Stradivarius.No teste, o famoso violinista britânico Matthew Trusler tocou cinco instrumentos diferentes por trás de uma cortina, para que a platéia não soubesse qual deles estava sendo tocado. Um dos violinos que Trusler tocou foi seu próprio Stradivarius, com valor de dois milhões de dólares. Os outros quatro foram todos feitos por Rhonheimer – dois com madeira tratada com fungos e os outros dois com madeira não tratada. Um juri de peritos, juntamente com os participantes da conferência, julgaram a qualidade do timbre dos violinos. Dos mais de 180 participantes, um número bem grande – 90 pessoas – achou que o timbre do violino ‘Opus 58’, tratado com fungos, era o melhor. O Stradivarius de Trusler tirou segundo lugar, com 39 votos, mas de modo surpreendente, 113 pessoas da platéia acharam que o ‘Opus 58’ era de fato o Stradivarius! O ‘Opus 58’ é feito com a madeira que foi tratada com os fungos por mais tempo, nove meses.Julgar a qualidade do timbre de um instrumento musical em um teste cego, é claro, é um assunto extremamente subjetivo, já que é uma questão de agradar aos sentidos humanos. Schwarze, o cientista do Empa, está bem ciente disso, e como ele diz: ‘Não existe uma maneira científica inconteste de mensurar a qualidade do timbre’. Portanto, bastante compreensivelmente, ele estava muito nervoso antes do teste. Desde o início do século 19, os violinos feitos por Stradivarius foram comparados em testes cegos a instrumentos feitos por outros, sendo que provavelmente o mais sério desses testes foi aquele organizado pela BBC em 1974. Naquele teste, os mundialmente famosos violinistas Isaac Stern e Pinchas Zukerman, juntamente com o comerciante inglês de violinos Charles Beare, foram desafiados a identificar sem ver o Stradivarius ‘Chaconne’, feito em 1725, um ‘Guarneri del Gesu’ de 1739, um ‘Vuillaume’ de 1846 e um instrumento moderno feito pelo mestre lutier inglês Roland Praill. O resultado esfriou os ânimos: nenhum dos peritos foi capaz de identificar corretamente mais do que dois dos quatro instrumentos, e em realidade dois dos jurados acharam que o violino moderno era o Stradivarius ‘Chaconne’.Os violinos feitos pelo mestre italiano Antonio Giacomo Stradivarius são considerados de qualidade inigualável até hoje, e os entusiastas estão dispostos a pagar milhões por um exemplar. O próprio Stradivarius nada sabia de fungos que atacam a madeira, mas ele recebeu uma ajuda inesperada da ‘Pequena Idade do Gelo’ que ocorreu de 1645 a 1715. Durante esse período, a Europa Central passou por longos invernos e verões frescos, o que fez com que as árvores crescessem devagar e uniformemente – condições realmente ideais para produzir madeira de excelente qualidade acústica.Horst Heger, do Osnabrück City Conservatory, está convencido de que o sucesso do ‘violino de fungos’ representa uma revolução no mundo da música clássica. ‘No futuro, mesmo jovens músicos talentosos poderão pagar por um violino com a mesma qualidade tímbrica de um Stradivarius impossivelmente dispendioso’, acredita ele. Em sua opinião, o fator mais importante na determinação do timbre de um violino é a qualidade da madeira utilizada em sua fabricação. Agora, isso foi confirmado pelos resultados do teste cego de Osnabrück. O ataque dos fungos modifica a estrutura celular da madeira, reduzindo sua desnsidade e simultaneamente aumentando sua homogeneidade. Comparado a um instrumento convencional, um violino feito com madeira tratada com fungos tem um som mais cálido, mais redondo’, explica Francis Schwarze”.Existe também uma pequena reportagem de uma rádio suiça (em inglês)http://worldradio.ch/wrs/bm~doc/20090901_violinmold.mp3